domingo, 31 de janeiro de 2010

A noite

Adoro conhecer gente nova... É sempre interessante essa troca que acontece nesses encontros inesperados.
Ontem foi mais um dia de doces estranhos.
Fui para show do Lulu, lá encontrei uma amiga que foi com um amigo que levou outro amigo e que se juntou ao amigo que eu levei... Todos estranhos entre si!

Ao final do show, todos sem um real no bolso (apenas para o ônibus) abordei o primeiro que vi e perguntei:
- Por gentileza, você poderia me emprestar R$50,00 até o dia do meu pagamento? E que a gente que dá uma "esticadinha", mas tá todo mundo liso. Não se preocupe, sou honesta eu te pago!
O cara deu um sorriso e respondeu?
- Eu também tô quebrado!
Um dos meninos que estavam conosco disse: Então, junte-se a nós!
Não é que o doido veio mesmo!

Fomos todos para o Dragão e de repende já estávamos todos à beira mar, sob a lua cheia... Os meninos com o vinho debaixo do braço ninando o queridinho ( exceto pra mim, pois eu e o vinho não somos bons amigos)...
Entre eles havia um "filósofo" que falou, falou, falou... Foi de Nietzsche a Florbela em 5 segundos, passando pela psicodelia do Pulse de Pink Floyd e finalizou com Dionísio e seu amor pelo vinho (detalhe, vinho de R$ 5,00, pois todos estávamos com sérias restrições orçamentárias).

Lembra do cara que não tinha R$ 50,00? Eu e minha amiga perguntamos se ele era algum tipo de psicopata, pois ele ficou calado a noite quase toda, pedi até pra ele levantar a blusa pra ver se não tinha nada escondido... Coitado! Não imaginava onde iria parar quando saiu de casa!
Depois que conseguimos fazê-lo falar... Descobrimos que ele tem uma banda e faz cover de Elvis... Isso justificou as costeletas gigantes que ele ostentava. Não precisa dizer o tanto que ele cantou depois disso, né!
Acabaram tomando banho de mar as 4h da manhã e esperamos o sol nascer...  "Lindo como ele só e a gente pra ver e viajar, no seu mar de raio".
Talvez a gente nem se encontre novamente, mas essas coisas ficam para a posteridade.

Há uma primavera em cada vida: é preciso cantá-la assim florida, pois se Deus nos deu voz, foi para cantar! E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada que seja a minha noite uma alvorada, que me saiba perder... Para me encontrar...
Florbela Espanca

2 comentários:

  1. Ultimamente, e nem tão ultimamente também =D, tenho viajado bastante. Não é só o lugar, as escaladas - no meu caso -, ou a viagem em si que dão a graça da coisa. São principalmente as pessoas. Desde o cara de Quixadá que ofereceu a casa por vários dias pra um desconhecido dormir; passando pelo colombiano que nunca tinha ouvido falar de mim e foi me buscar no aeroporto, apresentou a cidade e entregou a chave do seu abrigo na minha mã;, a galera do Rio Grande do Norte que dividiu um sanduíche de pão com ovo e arranjou um lugar pra armar minha rede; a americana que vendo nosso sofrimento em não encontrar vaga em um camping, deixou que armássemos a barraca no espaço que ela tinha alugado e não cobrou nada; o guia paraibano que foi um verdadeiro pai durante três dias que fiquei por lá; o dono do camping que perguntou se a menina que tava comigo queria um banho quente com água esquentada na panela, pq tava em uma praia sem energia elétrica; o argentino empregado de um abrigo que cobrava o café da manhã mais barato, sem o chefe saber, por foi com a minha cara; o mineiro que faz o melhor suco verde do mundo; o cara responsável por um projeto, que incluiu nesse projeto um menino que roubava a casa desse cara... E muito, muito mais gente... Realmente, o importante são, sim, as pessoas!

    Ah, minha irmã, você tem que parar de beber vinho vagabundo, assim vai acabar com esse trauma =D

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  2. Me prometeram um vinho de verdade, vou ver se a cura acontece!

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