quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Que seja infinito enquanto dure...

Sou péssima em decorar poemas, não sei contar piadas e sempre erro (por mais que eu escute infinitamente) as letras das músicas que eu gosto.
Algumas pessoas tem facilidade em arquivar essas coisas, tem a memória boa ou seletiva.
Eu gosto de poemas, sonetos, poesias. Confesso que não sei bem definí-los "gramaticamente", nem quem foi o autor desse ou daquele, mas acho que isso é de menos... O importante é o quanto eles nos tocam.

Tenho um amigo que adora recitar poemas pra mim... Se gaba pois sabe todos de cor, mas eu nem ligo, pois é com tanto amor que ele faz, que ele pode até esnobar...
Toda vez que eu o atendo no telefone ele diz: De tudo ao meu amor serei atento... Não é lindo?
Quem sabe eu possa aprender com ele atender o telefone com mais amor, que ele seja meu espelho e eu possa navegar nesta educação mais culta.


Soneto de Fidelidade


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama


Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Vinícius de Moraes

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